Solange fala sobre novo DVD, preparação para o São João e cuidados para a maratona de shows

Falamos com a artista baiana sobre a agenda intensa de São João

Publicado 17/04/2026 às 14:31
Atualizado 23/04/2026 às 12:53
Redação Forró Nordeste
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Estamos há pouco mais de um mês e meio do mês de junho e os artistas do forró já preparam seus projetos e fecham seus últimos shows para o São João. Com Solange Almeida não é diferente. Falamos com ela após a gravação do seu novo projeto, o Sol João II, DVD que reuniu nomes de peso do forró, como Flávio José, Elba Ramalho, Tato Falamansa e mais. O chega quase um ano após o sucesso que já havia acontecido com o primeiro DVD e com a live que ela fez anos atrás.

Além de gravar o novo DVD, a cantora também anunciou oficialmente a sua chegada na ONErpm. A revelação aconteceu durante a gravação com um vídeo que foi surpresa até para a própria artista, o vídeo celebrava toda a história e legado que Solange construiu em todos os seus anos de carreira. A primeira parceria entre Solange e ONErpm é justamente o DVD Sol João, que deve chegar as plataformas no final de abril.

E uma de nossas primeiras perguntas foi justamente sobre essa abertura que ela tem com nomes do forró mais tradicional. Sendo alguém que estourou em uma banda como a Aviões do Forró no meio dos anos 2000, seria natural que existisse um certo preconceito, como sempre houve, mas ela explica que apesar disso já ter sido mais forte, hoje em dia é algo mais fácil.

Isso era mais difícil há 20 ou 30 anos. Existia, sim, um certo preconceito e até um distanciamento maior entre o forró mais tradicional e o forró eletrônico. Muita gente gostava do eletrônico que estava surgindo, mas tinha vergonha de assumir, enquanto o tradicional era visto como “raiz” e mais legítimo por alguns. Hoje, eu vejo que isso mudou muito. O forró se expandiu, se descentralizou, mas continua sendo um só. Não existe melhor ou pior, existem fases, estilos e formas diferentes de expressar o mesmo ritmo. No meu caso, essa abertura vem muito da minha própria história. Eu cresci ouvindo artistas como Elba Ramalho, Flávio José e Jorge de Altinho, que marcaram minha adolescência na Bahia. Já o forró eletrônico fez parte de um momento importante da minha vida adulta, quando eu buscava minha independência através da música. Então, tudo isso sempre conviveu dentro de mim de forma muito natural. Eu admiro tanto o trabalho de um Wesley Safadão quanto de um Flávio José. No fim das contas, é tudo música, é tudo forró e eu gosto de valorizar cada uma dessas vertentes no meu trabalho.

Abaixo você pode assistir ao Sol João lançado em 2025

E falando sobre o Sol João, muita gente pode achar que este é um projeto que Solange criou a partir dessa volta da valorização do forró nos últimos dois anos, mas é algo que ela já faz há mais tempo e que sempre esteve dentro dos gostos e das vontades dela. De acordo com a artista, o projeto nasceu justamente da vontade de manter a tradição viva.

Muitas pessoas também falam sobre o projeto deixar de ser apenas um DVD e se transformar em evento físico. Solange não descartou, mas disse que, caso aconteça, ela quer que seja algo para acontecer justamente nos períodos juninos.

O Sol João nasceu justamente desse meu desejo de manter viva a tradição do São João e do forró. Sempre foi algo muito pessoal, muito ligado às minhas memórias de infância, às festas juninas que eu vivi, ouvindo forró, vivendo aquela cultura de verdade. Então, mesmo antes desse movimento de valorização mais recente, eu já fazia nos shows e sentia essa necessidade de fazer um projeto que resgatasse isso. A ideia lá atrás foi exatamente essa: criar um projeto que tivesse identidade, que valorizasse o forró como base da festa junina. Porque eu sempre digo — pode ter outros ritmos, mas o São João precisa ter forró como protagonista. E sobre o futuro, eu vejo o Sol João como algo que pode crescer muito além de um DVD. Ele já virou um projeto forte, com conceito, com verdade. Eu tenho muita vontade de transformar isso cada vez mais em uma experiência, em shows especiais, quem sabe até em um evento próprio. Mas, ao mesmo tempo, ele tem uma ligação muito forte com o São João. Então, independente do formato — seja DVD, show ou algo maior — eu sempre quero que ele aconteça nesse período, porque é onde tudo faz mais sentido. E o mais curioso, é que foi um dos meus álbuns mais ouvidos no último ano. Resultado de que as pessoas não estão consumindo apenas no período junino.

Nos últimos anos Solange é uma das artistas com mais shows durante o período junino. Além de, geralmente, ser a líder entre as mulheres, ela também figura no ranking geral do forró. Em 2026 ela fez cerca de 40 apresentações, mas diferente de alguns casos em que os shows do final do ciclo acabam perdendo qualidade, a cantora conseguiu se manter num mesmo nível durante toda a agenda.

Falamos com ela sobre como é o período e sobre essa preparação.

Olha, São João pra mim é o período mais importante do ano. É quando a gente vive o forró na sua essência, comidas típicas, etc… então eu sempre me preparo muito pra essa maratona. Se Deus quiser, podem esperar, sim, uma agenda bem intensa, porque é um momento que eu faço questão de estar presente, de liberar a agenda já que no decorrer do ano eu limito a qualidade de shows que realizo mensalmente. Mas junto com essa quantidade, vem também uma responsabilidade muito grande com a qualidade. Eu sempre digo que cada cidade é única, cada público merece viver aquele show como se fosse o primeiro. Então, independentemente de ser o primeiro ou o quarto da noite, eu subo no palco com a mesma entrega, com o mesmo respeito. E o segredo, se é que existe um, é amor pelo que eu faço e uma equipe muito alinhada comigo. A gente acaba contratando mais gente nesse período para da suporte. Ano passado, tivemos que locar um ônibus para dar suporte ao nosso. Tem toda uma preparação antes, organização de logística, cuidado com a voz, com o repertório… tudo isso faz diferença. No fim, é isso: é cansaço? É. Mas quando começa o show e eu vejo o público cantando, dançando, vivendo aquele São João… tudo vale a pena. Porque é mais do que trabalho, é a minha história com o forró sendo vivida ali.


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